domingo, 26 de setembro de 2010

"Farsa da Boa preguiça" na Praça do Ferreira



Carol  Cabral

 Uma peça ao ar livre, gratuita e pra lá de interessante.  A  “Farsa da Boa Preguiça” arranca suspiros, risos e aplausos da plateia na praça do Ferreira em Fortaleza-CE.  Na tarde do dia 9 de março de 2010 coisas inusitadas acontecem. O espetáculo estava previsto para começar às 16:00 horas, mas atrasou um pouco, porque a praça é pública e aconteciam algumas manifestações  com microfone de alguns profissionais de outros setores, zuada de um lado, zuada de outro, um dos diretores da  peça, a carioca Christina Streva quase ficou doida tentando negociar o barulho dos manifestantes, porque os atores não usam microfones.            
   O cenário estava montado, eram armações de camelôs, com CDs dos mais variados possíveis, tinha: funk, forró, sertanejo, tinha óculos, camisas, brincos, pulseiras e até ervas para:  “Inflamação na Prosta”, Coluna, “Colesteró”, Emagrecedor, Diabetes. Segundo os integrantes da peça, essas ervas são verdadeiras e foram compradas na feira, não sabem se funcionam mesmo. O público estava ansioso para o início do espetáculo, alguns sabiam da apresentação em praça pública por meio da mídia, outros estavam passando pelo local e pararam para assistir. A estudante de jornalismo, Sheyla Castelo Branco, uma leitora  antenada com tudo que acontece na cidade, estava na praça também assistindo a peça. “Eu achei muito interessante um teatro na rua, porque muitas pessoas não tem a oportunidade de assistir espetáculos como esse”, conta Sheyla.
  O projeto é itinerante, eles se apresentam em algumas cidades de sete estados Nordestinos: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Com direção de Christina Streva e Fernando Yamamoto a peça é de Ariano Suassuna, o texto original tem o total de três horas e meia de duração, mas foi adaptado para a rua  com muitas partes musicais ao vivo e reduzida para uma hora e meia de espetáculo. A obra conta a história de Joaquim Simão, um nordestino que faz versos, gosta de preguiça e de mulher, é casado com a apaixonada Nevinha, eles são vizinhos dos típicos representantes capitalistas Aderaldo Catacão e sua esposa Clarabela. Um Cristo, um arcanjo e um santo orquestram a trama, o destino de quatro personagens são  cruzados e mostra que o objetivo do trabalho é a preguiça que ele proporciona depois. Demônios trocam de disfarces e usam artimanhas para dificultar os planos do trio divino.
   Gladson Galego trabalha na parte técnica do espetáculo, prepara o espaço cênico, ajeita as luzes e ajuda em mais outras coisas, ele diz que  é maravilhosa a recepção do público por onde  passam.
   É a primeira vez  que os dois  grupos:  "Ser Tão Teatro" da Paraíba e o "Clowns de Shakespeare" do Rio Grande do Norte trabalham na rua. “É um grande desafio, o público, a situação da rua, que a gente tem que lidar com os improvisos, faz com que a gente tenha uma relação mais direta com a plateia, então pra nós está sendo um grande aprendizado, já que a rua não tem aquela tranquilidade do teatro, aquela segurança que o teatro oferece”, declara a diretora da peça, Christina Streva.
                                           Personagens da peça: Aderaldo e Clarabela

“A gente tem o espetáculo todo marcado, mas depende da plateia, depende das interferências que o local tem, então a gente tem sempre que esperar alguma coisa que vai acontecer e estarmos preparados pra isso”, conta a atriz Isadora Feitosa ( a Clarabela ), a respeito do improviso.
Ao final da peça, o público foi cumprimentar os atores e houve um debate aberto ao público sobre o espetáculo em uma espaço do Cine São Luís, que fica na própria Praça do Ferreira.

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